À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS

À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Edna Mateia anuncia para breve lançamento do seu primeiro disco

Foi com enorme ovação que o público reagiu à novidade na noite de sábado (21/08), durante um desfile de moda na cidade do Huambo, testemunhado pelo Blog Angodebates. Edna Mateia animou a noite com dois temas promocionais, o “para ti, mulher”, cantado na língua portuguesa, e "kafeko" (que significa mocinha na língua Umbundu)

Por seu lado, o mestre de cerimónia, Otenásio Matias, como quem tem acesso privilegiado aos bastidores, sublinhou que o disco de estreia da Edna está para breve, muito breve, sem no entanto adiantar datas nem títulos.

Vencedora do Festival de Música Popular “Variante 2014”, concurso anual realizado pelo Ministério da Cultura, Edna Mateia é uma cantora residente na cidade do Huambo, província com o mesmo nome, onde é já uma referência obrigatória desde que em 2005 venceu o concurso provincial de "Melhor voz feminina" da região do planalto central. No seu repertório bilingue predominam os estilos semba, kilapanga e kizomba.

Na sua passagem pelo programa Janela Aberta, da Televisão Pública de Angola, emitido de Luanda a 15 de Janeiro de 2015, a jovem cantora disse: "Eu costumo dizer os cantores de outras províncias, porque, às vezes, parece que só geograficamente é que somos 18 províncias, mas não. É preciso lembrar que culturalmente também somos 18 províncias. Então, por vezes corremos o risco de termos vários anos de carreira e, quando chegamos a Luanda, sermos considerados ainda "novos talentos"

Edna Mateia despontou no coral infantil da Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA) do Bailundo, município situado a norte da capital provincial do Huambo, aproximadamente 75 quilómetros.

Gociante Patissa, Huambo, 23/08/15

www.ombembwa.blogspot.com
www.angodebates.blogspot.com

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Desfazendo dúvidas | "Pakulamento" é corruptela do verbo "ko pakola/pakula" na língua Lingala


O verbo vem do tão simples Lingala - língua falada na RDC. Forçar a coisa é passar por parvos, mais do que os usuários dos mesmos produtos.
Como bom falante da Língua - no caso Lingala - irei pôr aqui os pontos nos iis.
Primeiro: A origem etimológica dessa expressão vem dos bairros que aos inícios dos anos 90 vinham populando Luanda. Bairros como Mabor, Petrangol e Palanca(o reino). Verdade seja dita, muitos dos falantes de Lingala eram angolanos regressados depois do aparente calar das armas e o período das eleições de 92.


Tornando a nós, o verbo em Lingala é Ko Pakola/Pakula (com base na origem do falante, que venha este de Kinshasa ou de outras províncias diferentes da capital) que significar PINTAR, detergir - ou um forçoso ungir. Exemplo: pode-se dizer "Ko Pakola ndaku" que está a significar "Pintar a casa"; "Ko pakola mafuta" que significa "Ungir-se de Oléo"/"Deterger-se de creme".

Este verbo tem um diminutivo que o leva, ao invés do correcto Ko Pakola, a ser simplesmente "Pakola". Onde vimos gente dizer: "Pakola/Pakula Mafuta" querendo dizer "Deterge-te de creme".

Com o passar do tempo o verbo tomou o significado comum com a qual nos debatemos hoje, isto è, "Clarear-se a Pele". Então ao longo dos anos vimos uma flota de gerações de mamãs - ditas Soeur ya Pùa - e jovens fazerem o uso da mesma.

Segundo: O sabão MEKAKO|| Este último tem um nome que superou muitos níveis de marketing com que estamos habituados. Com um nome convidativo que estaria ao nosso: "Experimenta Sò!" ou "Experimenta p'ra ver!" ou "Prova só!" ou "E' só provar!" e por ultimo "Prova aì!"(ok, confesso este é brasileiro. Eles colocam o "aí" em todo lado).
Tornando a nós. O MEKAKO era praticamente um desafio para quem duvidava. Você duvida? Experimenta para ver! Esta é o significado e a origem.


Só para dar mais uma informação inútil, mas que talvez ajudará em qualquer modo. O MEKAKO - actualmente - é uma marca Italiana. É produzida pela AquimpexSPA na cidade de Monza, vizinho a famosa província de Milão.
Tornemos, portanto, ao nosso problema.


Ocorre sublinhar aqui, por último, que quem pretende dizer - com um grau forçoso digno de um alpinista ou trepador de espelhos- que a origem da palavra é Ovimbundu talvez queira entrar na prática fácil de atacar estes últimos e atribuir-lhes a origem de todos "os nossos males".

No entanto, do que sabemos, Pakular foi simplesmente o modo como os detractores da prática chamavam a coisa. De um lado, por falta de um termo próprio para traduzir a mesma e por outro lado por mera ignorância.


E mais, Mekako vém do verbo KO MEKA que significa Experimentar, provar e tentar. MEKA significa Experimenta. Que com o sufixo KO(este com diversos significados que nos negamos de dar) o torna MEKA KO - sim, separado - e que por razòes de Marketing achou-se bem unir.

Diário | A propósito de "pakulamento", um enquadramento etimológico algo forçado

Chegou ao meu conhecimento que determinado compatriota nosso, em Luanda, ofereceu aos seus leitores uma origem etimológica de "pakulamento", termo usado para descrever a prática deliberada de clarear a pele, a "mulatização" para muitos, que volta à baila na sequência da adesão e publicitação que está a ganhar entre artistas (intelectuamente ocos e na sua maioria do piorio que o nosso mercado musical viu nascer), mas também entre líderes religiosos e políticos. Segundo a "notificação", o citado compatriota (de cuja competência/desempenho na língua Umbundu em princípio não fazemos ideia) defende que o calão "pakulamento" vem do Umbundu, do verbo "okupakula", que no seu dicionário mental significa "clarear". É possível que seja mas... até onde vai o nosso conhecimento, o verbo "okupakula", também ele polissémico e com presença na bíblia, tem dois sentidos, sendo um deles pestanejar e o outro delatar/trair. A sua aplicação mais universal tem que ver com a parábola de Judas que traiu Jesus, que em Umbundu é "Yuda wapakula Yesu". Eu, que por acaso tenho andando pelas mais recôditas aldeolas da então "nação ovimbundu" (Benguela, Huambo, Bié), não vi tais práticas de clarear a pele, o que implicaria a relevância de os falantes do Umbundu arranjarem um termo para tal. Já pela fronteira com os Congos é que se nota frequente o uso do que é vulgarmente conhecido como "mekako", cujo significado desconheço. Por exemplo, para quem passou a infância a assistir aos treinos da Académica do Lobito e com isso conviver com os atletas de futebol, os que "se pintavam" eram "langas" (termo depreciativo para os da RDC). A não ser que no tempo de Judas e Jesus já houvesse necessidade de clarear a pele para "cantar melhor", parece-nos a nós que uma afirmação no sentido de "okupakula" ser significado de "clarear", só pode ser um enquadramento etimológico algo forçado. No mínimo, a estabelecer uma analogia, esta seria no sentido moral, onde clarear a pele para adoptar padrões estéticos de beleza (biologicamente impossíveis) representa trair a origem e a identidade de que se é parte, tese que aliás é a base da repulsa do grande povo. Resumindo, até provas em contrário, os ovimbundu não usam o verbo "okupakula" para o "pakulamento", ou se calhar até usam, mas só no Facebook mesmo.
Gociante Patissa, Katombela 20.08.15

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Resultado do concurso relâmpago de tradução

1. ENUNCIADO: 
"Eci tweya palo, ko 1951, twalisanjele. Tunde ño eci vofeka mwakeya ovoyaki, ovina vyalinga ndayu vyalitamapo kamwe. Una la yuna ño apa alava ati 'ocange; camaikulu', eye inakulu yaco ka wi". (De um ancião numa aldeia rural distante onde passamos este fim-de-semana em excursão familiar)

2. O PRÉMIO ANUNCIADO: 
As três melhores tentativas serão recompensadas com um dos livros de Gociante Patissa, sendo que o primeiro ainda pode escolher entre ficar com o livro ou com o chapéu com a marca do músico Nelo de Carvalho. Vamos a isso?

3. A TRADUÇÃO QUE ME OCORREU NO MOMENTO EM QUE OUVI A FONTE: 
Quando cá chegamos, em 1951, vivíamos pacificamente. Mas desde que surgiram as guerras no país, as coisas tornaram-se mais ou menos confusas. Qualquer um ocupa o que quiser e diz 'é meu; é do meu avô, e ele nem sequer sabe quem é o tal avô dele.

4. AVALIANDO AS PROPOSTAS DE TRADUÇÃO

1.º LUGAR Manuel Cameia Sequesseque «Quando cá chegamos em 1951, estávamos deveras a vontade. Só quando chegou a guerra guerra fratricida no país, que as coisas ficaram algo embaraçadas. Qualquer uma pessoa, onde ocupa, diz logo que é seu 'ou da sua avô' porém nem se quer conhece a mesma avô.»

2.º LUGAR David Calivala «Quando cá chegamos, no ano de 1951, estávamos mais a vontade. Até que chegaram os confrontos no país, as coisas começaram a ficar meio sem ordem: este e aquele lá onde se instalassem diziam logo que esta terra é de nossa pertença por herança, e mesmo sem saberem o nome de quem "heradavam" tais propriedades.»

3.º LUGAR Victorino Luciano Balundo Sikunda Divel «Quando cà chegamos,isto em 1951,estavamos a vontade. Mas a partir do momento em q o pais entra em conflito armado, a situaçäo ficou um pouco complicado, isto devido a ocupaçäo inlegal de terreno e dizendo q o terreno lhes pretence, sem saberem quem é o aciäo da Zona ((o mais velho ou o fundador da zona).»


5. PRÉMIOS E CONDIÇÕES

a) O primeiro classificado tem o direito de escolher se fica com o chapéu com a marca do músico Nelo de Carvalho ou um dos seguintes títulos deGociante Patissa: "Não Tem Pernas o Tempo", "A Última Ouvinte" ou "Fátussengóla, O Homem do Rádio Que Espalhava Dúvidas".

b) O segundo classificado pode escolher se fica com "A Última Ouvinte" ou "Fátussengóla, O Homem do Rádio Que Espalhava Dúvidas", ou então acumular mais um "O APITO QUE NÃO SE OUVIU", também de Gociante Patissa, a ser lançado no final deste ano, conforme sua (Calivala) preferência na edição anterior, sendo que a dívida ser-lhe-ía saldada logo que o contigente chegasse do Brasil, onde é feita a impressão.

c) O terceiro classificado pode escolher entre A Última Ouvinte" ou "Fátussengóla, O Homem do Rádio Que Espalhava Dúvidas".

d) Quanto aos do prémio de participação, receberão um exemplar cada do livro "Fátussengóla, O Homem do Rádio Que Espalhava Dúvidas".

Para quaisquer reclamações, a porta está aberta. Ovilamo vyange!

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Os 40 anos do sector da cultura em debate | Fragmentos da intervenção de Ungulani Ba Ka Khosa, escritor moçambicano

“Em termos de grelha de partida, como país, partimos mal. Partimos muito mal, para um país novo, na utopia da unicidade, assumidamente como princípio director da revolução moçambicana, isso de «vamos matar a tribo para fazer nascer a nação». Ora, isso, num país com a diversidade cultural como a nossa, representou um etnocídio. Penso que mais tarde é que o próprio partido [no poder, FRELIMO] se deu conta do erro grande com essa utopia da unicidade e considerou reverter o quadro, valorizando a identidade dos vários grupos que temos.”
(…)
“Em termos de identidade, ainda não vivemos uma cidadania plena. Isto porquê, meus senhores? Porque durante estes 40 anos, vivemos como país um discurso político. E um país que nasce politicamente precisa de se reencontrar culturalmente. Um país faz-se de vários discursos.”
(…)
“Durante estes 40 anos, fomos criando cidadãos de primeira, de segunda, de terceira classe. Não chegamos à realização da cidadania plena. Ainda não tivemos a coragem de nos olharmos ao espelho e cada um ouvir a sua voz interior.”

(Fragmentos da intervenção do escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Kshosa. Apontamentos de telespectador do programa «Debate da Nação», emitido pela STV Noticias, na noite de 03.08.15)

NOTA DO BLOG OMBEMBWA:

Enquanto por cá insistimos em que «a colonização em Angola foi diferente de qualquer outra colonização», como ouvi há dias de uma importantíssima figura da nossa história cultural – como que a legitimar o perpetuar de determinados padrões herdados da assimilação (ainda reinantes, da língua à toponímia, por exemplo), já outros povos, também colonizados por Portugal, discutem, questionam e assumem questões que lhes intrínsecas. Mas dada a nossa natureza «especial», é ponto de partida e chegada a ideia de que o Português não é uma língua alheia em Angola, o que de facto não é, assim como o seu papel de língua de união não devia negligenciar a necessidade de se investir no estudo, classificação e normatização de outras de matriz Bantu e pré-Bantu. O sonho de nação, mais do que apoiar-se na língua, moeda e autoridade comuns, era suposto implicar essencialmente o conhecimento e a valorização do “outro” que conforma o mosaico dentro do mesmo espaço. Isso far-se-ia com políticas concretas para visibilizar e estudar hábitos e costumes (não necessariamente em pequenos documentários televisivos ou em efemérides) e a transmissão de geração em geração, assegurando bases antropológicas, sociológicas, enfim. Oficialmente dizemos que tem sido assim, só que disso não passamos. Tenho dito que a luta contra o tribalismo (que deve continuar, claro está) criou efeitos colaterais nefastos, sendo um deles a quebra da ponte do diálogo intercultural entre a cidade e o campo. Urge debater a Nação! Gociante Patissa,03.08.15

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Crónica | Justino Handanga, um polícia que canta com o povo

Esteve recentemente no Lobito para ser homenageado pela sua trajectória, desta vez por iniciativa de uma entidade privada local vocacionada na promoção de eventos, tributo que se junta deste modo a tantos outros, entre os quais ressalta o Prémio Nacional de Cultura e Artes, que o distinguiu em 2003. É de Justino Handanga que falamos.

Cantor e compositor, despontou em 2013 enquanto integrante do projecto «Vozes do Planalto», cuja divulgação rápida fica a dever-se à pirataria, face ao problema conjuntural da distribuição. Ao lado de Bessa Teixeira, Viñi-Viñi, Katchiungo, Sabino Henda, Jacinto Tchipa, para só citar estes, Handanga afirma-se por uma linha estética que combina a originalidade com um forte sentido de observação e o carisma, tocando a sensibilidade de milhões de falantes da sua língua materna, o Umbundu, e não só. «A minha música é nacional; não sou músico do norte nem do sul», defende Handanga, citado pela Voz da América. As músicas passam mensagens de amor, moral, civismo e resgate dos valores culturais, destaca por outro lado a Angop. É já quase uma lenda.

Povoa no anedotário da província do Huambo uma cena que, se não for verdade, também não está longe de fazer sentido. Conta-se que determinado comandante policial, não se sabe se por birra ou por mera casualidade, teria colocado o agente Handanga em policiamento na via pública a pé, que vulgarmente se diz «polícia do giro». E até dá para imaginar o filme: uniforme a rigor, cassetete à mão, pistola na cintura. Só que a cada metro, vinha um fã envolvê-lo num efusivo abraço. É só por ser o primeiro dia; amanhã já a emoção do público passa, terá pensado já ao conforto do travesseiro.

Na manhã seguinte, a formatura e o «giro». Os abraços suplantam o dia anterior, como se alguém avisasse os fãs do itinerário do agente. Uma euforia daquelas, não faltando quem lhe pedisse para cantar esta ou aquela música. Faz-se tarde. O homem reporta ao superior a «incontinência» em que se tornou a tarefa que, de assegurar a ordem pública, passou a ser a de distribuir abraços aos admiradores. A solução teria vindo meses mais tarde só com a substituição do comandante. E por pouco não perdíamos o homem, asfixiado nos abraços dos seus admiradores, passe algum exagero da nossa parte.  

Mesmo quando o instrumental nos soa algo idêntico ao de um qualquer tema já explorado dele, o que me parece frequente nos temas mais recentes, Justino Handanga supera-se a si próprio na forma como capta a vivência da sua gente, a qual sabe como muito poucos retratar de uma maneira tão instigadora à reflexão social e busca de soluções em prol das camadas desfavorecidas, sem perder de vista a missão de recolector da tradição oral Umbundu. E consegue-o com a mestria do contraste, pois é em ritmo dançante do género «sungura» que a mensagem de intervenção social perpassa até atingir a sensibilidade de cada um, seja decisor, seja pacato observador.

Nascido em Janeiro de 1969 na comuna do Luvemba, do município do Bailundo, na província do Huambo, Justino Handanga iniciou a cantar em 1980 no «pió-pió», programa de actividades extra-escolares da Rádio Nacional de Angola. É autor dos álbuns «Ocipango Catelinsiwa-Alvo Atingido» (2005) e «Homenagem a Valentim Amões» (2011). Quanto ao nome Handanga, na tradição Umbundu é atribuído a quem sucede ao poder real por conta da sua mulher, na falta de descendentes desta para herdar o trono.

Gociante Patissa, Benguela, 5 Agosto 2015

terça-feira, 4 de agosto de 2015

"Onjo yacimonyã ka yitekula" (casa de preguiçoso não alimenta)

As artes cénicas, no seu papel transversal, complementam a música de retrato social. Em palco, a menina (actual detentora do título municipal do concurso Variante) interpreta a responsabilidade social da mulher no meio rural, onde a casa de um preguiçoso é vista como sendo pouco acolhedora, em casa de preguiçoso passa-se fome

Era para te mandar em privado a foto, mano Figueiredo F. Casimiro, mas não resisti, o "mundo" tem o direito de usufruir do sol do teu sorriso. Ukwetu, vanetele! hahaha

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

CONCURSO PARA TRADUÇÃO DE PROVÉRBIO UMBUNDU (O prémio é um dos meus livros ou um chapéu vermelho com a marca do músico Nelo de Carvalho, à escolha do tradutor)

"Ohombo walya likalyove, ocipa onyeñesa kwenda osoleka; ohombo walya la Soma, ocipa onyeñesa kwenda olekisa kowiñi".

David Calivala: “Este provérbio remete-nos ao pensamento da gestão de segredos ou evitar exaltação excessiva. Quando fizeres alguma coisa de bem, não precisas sair aos gritos e dizer que eu fiz ou eu posso. Fizeste um bem, recolhe-te e cala-te. Mas se fizeres alguma coisa com o teu superior, por mais que te seja meritória tal proeza, deixa os outros perceberem que foi o chefe/superior que teve tal proeza e tu tiveste a honra de apenas ajudar. 

RESULTADO DO CONCURSO DE TRADUÇÃO | PRÉMIO PARA DAVID CALIVALA

1.      O PROVÉRBIO:
"Ohombo walya likalyove, ocipa onyeñesa kwenda osoleka; ohombo walya la Soma, ocipa onyeñesa kwenda olekisa kowiñi".

2. A TRADUÇÃO AO PÉ DA LETRA:
Do cabrito que comeres só, tratas da pele e guardas; do cabrito que comeres com o Soba/Rei, tratas da pele e exibes ao público.

3. O ENQUADRAMENTO:
Este é um provérbio cujo consumo nos parece recomendar muito mais do que outros o alcance polissêmico, estando de um lado o sentido pedagógico e de outro apontando defeitos comportamentais da natureza humana. As interpretações seriam: (a) conforme sugere a interpretação do amigo David Calivala ou (b) que por vezes o valor das coisas/acontecimentos depende da proeminência das pessoas envolvidas, isto é, o que a pessoa comum come passa despercebido, mas a notoriedade do soba dá prestígio.

4. O TROFÉU: nas próximas horas, deverá o vencedor manifestar a sua escolha, se o chapéu ou se um dos meus livros (sugerindo o título que quer receber).

Gociante Patissa, 02.08.15

sábado, 1 de agosto de 2015

sábado, 18 de julho de 2015

Oratura | "MANGOLÉ" OU "MWANGOLÉ", EIS A QUESTÃO

Por Kamuatata Kyami Kasule, in Jornal A Capital, Luanda, 18.07.15)
"Mangolé de sucesso”. Muitos angolanos deparam-se não poucas vezes com a expressão que invade as residências dos cidadãos por intermédio de um canal de televisão por satélite. 

A expressão chama atenção, pois é apresentada em letras garrafais, apelando os feitos dos angolanos um pouco espalhados pelo mundo, sob apresentação da simpática Angélica Costa. Porém, a razão deste artigo é justamente analisar, segundo a língua kimbundu, claro, caso o termo seja realmente retirado desta língua banthu, o que merecerá uma curta análise. 

Ora vejamos: Se “Mangolé” subentende angolano para a realização do programa, então há uma gralha de concordância e estrutura morfológica da frase na língua kimbundu, visto que a designação apropriada na língua em questão usa-se o prefixo "Mukwa” para formação dos vários adjectivos e substantivos. Exemplo: Mukwa Ngola (originário ou natural de Angola). 

Outrossim, há um termo ou prefixo comumente usado como forma de indicar origem, proprietário ou naturalidade, resultante da forma curta de “Mukwa”, na qual toma a forma curta de “ Mwa”. Exemplo: Mwazanga (ilhéu, natural da ilha) - forma do singular Akwazanga (ilhéus, naturais da ilha) - forma do plural Mwangola ou mwangole (angolano, originário de Angola)- forma do singular Akwbangola (angolanos, originários de Angola)- forma do plural Akwa Kisama (naturais da Kisama) Akwa Uíje (naturais do Uíje) Akwa Malanje (malanjinos ou naturais) Portanto, se o programa é trazer os angolanos naturais, deveria sim trazer também a forma correcta dos naturais de Angola. 


Assim sendo, não é aceitável e nem deve ser considerada tal expressão, pois não transmite nada na língua kimbundu, ao menos que seja uma gíria unicamente falada por quem nunca balbuciou a língua em análise.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Resenha literária | DAS BREVES IMPRESSÕES: FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS

Por Cristina Galhardo Amado(Benguela 12 Julho 2013)

Neste livro, o autor, Gociante Patissa, traz-nos catorze textos, apresentados na contracapa como sendo “contos”. Esta tipologia está, sem dúvida, presente em alguns textos, embora vários destes se enquadrem muito mais no sub-género crónica literária. É neste último, sobremaneira, que se notam pontadas de linguagem que se aproxima da jornalística, em apontamentos que auxiliam o leitor (se desnecessariamente ou não, cabe a vós também julgar) a se situar.

Em parte significativa dos textos, o tal “auxílio” ao leitor cede lugar ao enigmático, ao que fica pairando no ar, que vai além da eventual falta de habilidade do leitor, nomeadamente por não dominar a semiótica que permite interpretar não somente literatura, mas tudo na vida. Talvez seja a influência sugerida pelo próprio autor (narrador também, no presente exemplo) no texto “Velho Batalha e a Bicicleta que Não Sabia Correr”, dessa cultura em cuja linguagem “quase tudo é por atalhos, servido na bandeja da metáfora, do fragmentado, da inferência” (p.91). O autor transporta, desta forma, para seus textos essa característica das máximas Umbundu, que têm por norma não oferecer interpretação imediata, fácil ou única ao interlocutor.

No âmbito das que, para mim, se aproximam mais de crónicas, destaco, pelo impacto emocional, “Sapalo e a Avenida do Quase”. Sapalo personifica os tantos que, quem como eu caminha, encontramos nas ruas, perdidos em suas deambulações, nas avenidas “do quase, do sonho por rápidas melhoras, da dor” (p. 84). Em certos momentos, no seguimento do que foi dito acerca do pendor enigmático da narrativa, é endereçado ao leitor um claro convite à interpretação, como sucede particularmente n’”O Calendário da Viúva”, em que o agente se debate com o que classifica como conversa desconexa de Saluquinha, curiosa personagem. Como sugeriu António Lobo Antunes, quem somos nós para dizer que outros são loucos?

Ainda numa tipologia similar, “A Estrela que Não Voltei a Ter” é particularmente tocante, mesclando a crueza não restrita à vida humana e a poesia de quem não esquece o que nos foi arrancado da e na meninice.

Quanto aos que considero contos propriamente ditos, os convites às reflexões e conclusões do leitor estão bem presentes, iniciando logo com o texto que abre o conjunto, o belo “A Minha Mãe é Hortelã”. O conto que dá nome ao livro traz-nos uma personagem que, pela extensão e complexidade de caracterização, parece pedir (logo ele, que também foi biografista) uma narrativa mais extensa.

O último texto, “A Árvore que Dava Leite”, me parece algo desgarrado do conjunto. Sendo um conto de pendor tradicional (como ocorre com “No Reino dos Rascunhos”), é narrado de forma completamente distinta dos anteriores, em que é notória a presença e interferência do narrador, que nos interpela, nos interroga e partilha suas impressões.

O livro, editado pelo GRECIMA [programa «Ler Angola». Luanda, 2014], pode ser encontrado no Kero [rede de mercados]. Boa leitura!

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Omboyo

domingo, 31 de maio de 2015

"A Situação dos Direitos do Autor" em mesa-redonda na Rádio Mais Lobito

Num espaço de 55 minutos conduzido pelo radialista Zacarias Capoco, o representante da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC), Chico Sandro, o professor David Calivala e o escritor Gociante Patissa abordaram a situação dos direitos do autor, tendo como pano de fundo a entrada em vigor da Lei 15/14, de 31 de Julho, da Protecção dos Direitos de Autor e Conexos nas áreas das Artes, Literatura, Ciência. A mesa-redonda foi da iniciativa da Rádio Mais, na cidade do Lobito, no sábado, dia 30.05.15

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Oratura | Sumi ou "Sumé", um monte que tem tudo para ser enigmático

Sou dos que têm preferido uma postura contemplativa quanto aos acontecimentos de 17 de Abril no monte Sumi (ou será Sumé?), município da Kahala, província do Wambu, desde logo pela nebulosidade que paira sobre o que realmente se passou no confronto entre as forças da ordem e os fiéis da Igreja de Kalupeteka (também não uso a palavra seita, considerando haver tantas e várias denominações religiosas na mesma condição de aguardarem por um posicionamento do Ministério da Cultura, em causa a requisição de legalização). Dados oficiais quantificam nove agentes policiais assassinados e 13 civis da outra parte. Sou também dos que deploram a violência e seus efeitos colaterais, o que independe de quem a pratique, esperando que a justiça cumpra o seu papel . Posto isto, vou para o que nos traz hoje. O nome do monte que foi palco da tragédia vem surgindo na imprensa, à boa maneira angolana no que respeita à toponímia. Ora Sumi, ora Sumé. É a velha questão do desleixo de uma sociedade e a arbitrariedade oficial quando se trata de nomes e ou substantivos nas línguas africanas, onde o proverbial e a parábola são ignorados. Partindo de novo por um exercício de especulação, na hipótese de ser uma palavra na língua Umbundu, exclui-se a possibilidade de ser Sumé por dois motivos: (a) são raras, se é que existem, as palavras com terminações silábicas tónicas e (b) não se vislumbra para já uma imagem que se possa associar à palavra "sumé" como sendo o seu significado. Depois de ouvir várias fontes, algumas das quais com raízes naquela região, parece evidente que seria Sumi, o modo imperativo do verbo “okusuma” (adivinhar), pronunciado de maneira silabada [su-mi]. Aqui chegados, até parece que o nome do monte foi profecia concebida para os tempos de hoje, pois, meus amigos, não havendo relatos de testemunhas oculares sobre o que realmente se passou... “Sumi!”, quer dizer, adivinhem!
Gociante Patissa, Benguela 21.05.15

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Trecho de um hino evangélico na língua umbundu

«Si ka ivale ko
okuti kilu lyeve ndukombe
ndipita ombamba
ndonelehõ yakala lomenle

kekumbi ka yi ko vali
yowuka lutanya
mwapita ofela
noke yaloluka»

TENTATIVA DE TRADUÇÃO

Que eu não me esqueça
de que sou hóspede na face da Terra
de efémera passagem
como a flor que sorriu de manhã

De tarde não se viu
com o sol murchou
o vento bateu
e ela ruiu.

sábado, 2 de maio de 2015

Exercício de tradução | Tente, pois pode ganhar um livro

Eunciado: são duas estrofes de uma canção festiva Umbundu que marcou a nossa infância e adolescência enquanto plateia do rico encontro cultural para brincar na quadra festiva, praxe da comunidade oriunda do município do Mbalombo, residente no bairro da Santa Cruz, Lobito.
"Ndaile kolonganyo
Kofeka yoviNgangela
Kuli olohamwe
Vilumana nda alimbondwe.

A Suswana
Ku lile vali
Ame syendi vali
Ñala olotembo vyosi."


Nota: As três melhores tentativas de tradução serão recompensadas com um exemplar do livro FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS, contos com que Gociante Patissa procura homenagear o bairro Santa Cruz, que lhe deu as agruras para amadurecer e as felicidades para o necessário equilíbrio humano. Tente, que você é capaz.
Ngundji José ''Fui a procura do pão
em terra dos Ngangelas
há mosquitos
que mordem quanto abelhas

Óh Suzana 
não chores mais,
que não irei mais
O Senhor é o dono dos tempos''.

A sekulu ame nda seka andi po naito Gociante Patissa

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THáciio Uãnda Fui trabalhar 
Na terra dos Nganguela
Tem mosquito 
que mordem como as abelhas

Oh Suzana 
não chores mais 
eu Já não vou mais 
ficarei o tempo todo

·          
Adolfo Chaiqua Fui no trabalho no pai's "terra"dos NGanguela, tem mosquitos mordem como bichos. OH Suzana nao chora mais, eu nao vou mais ficarei todo tempo.
·          
Gociante Patissa "Wasema waimba" (o desafinado também cantou), Ngundji José.
·          
Gociante Patissa Yayevala (bem recebido), Adolfo Chaiqua
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Gociante Patissa Olavoka ka kavi (a paciência é uma virtude), THáciio Uãnda
·          
Ngundji José Mba mba, a sekulu!
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THáciio Uãnda E que tal a classificação kota?
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Gociante Patissa O provérbio em que te citei responde a tua pergunta, THáciio Uãnda: a paciência é uma virtude.
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Gociante Patissa Twakuyeva (bem anotado), Vhadu Khorreia
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THáciio Uãnda Está bem farei isso
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Vhadu Khorreia Fui trabalhar na terra dos nganguela, Tem muitos mosquitos, Mordem tipo abelha, Suzana Não chora, Eu não vou mais, Estarei todo tempo aqui.
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Toni Franco Eu fui ao trabalho- na terra dos Nganguelas - tem muitos mosquitos - mordem que nem véspras - Suzana não chores mais - sinta-se a vontade para sempre.
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Gociante Patissa Yapitinlã (chegou a mensagem), 

Na terra dos Nganguela
Há mosquitos
Ferram como vespas
Oh Suzana
Não chores mais
Eu já não vou mais
Fico contigo para sempre.

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Higino Cataca Hcataca Fui trabalhar
Na terra dos ngangela
Há mosquitos
Que ferram como como abelhas

Suzana não chore mais
Já não volto ao trabalho
Ficarei para sempre!


Victorino Luciano Balundo Sikunda Divel fui ao trabalho ou negocio,nas terras dos nganguelas,tem mosquitos que mordem como vespa ,ó suzana ,não chores mais,fica tranquila ,eu não voltarei,,ficarei aque para todo tempo ou para sempre. ovilamo!!! vlbs

Chave da prova de tradução (hahaha)

UMBUNDU
"Ndaile kolonganyo
Kofeka yoviNgangela
Kuli olohamwe
Vilumana nda alimbondwe.
A Suswana
Ku lile vali
Ame syendi vali
Ñala olotembo vyosi."


PORTUGUÊS
Fui à procura de trabalho
Em terras dos Ngangela
Há lá mosquitos
Que ferram como vespas

Não chores mais
Ó Suzana
Que eu já lá não vou
Vim para ficar.
…………………….

PARECER

Teve 3 (três) falhas, sendo a primeira onde traduz «alimbondwe» como sendo abelhas (quando na verdade se trata do plural de vespa, pois abelha é “olunyihi”). A segunda falha, que tem muito mais que ver com a regra na língua portuguesa do que propriamente com o Umbundu, consiste em atribuir ao mosquito a faculdade de “morder”, quando o coitado, tal como a vespa a que é comparada, não vai além de ferrar. A última está no verbo onde se confunde “Ñala” (de “ndi kala”) com Ñalã (Deus).


Teve 2 (duas) falhas ao traduzir «alimbondwe» como sendo abelhas (quando na verdade se se trata do plural de vespa, pois abelha é “olunyihi”). A segunda falha, que tem muito mais que ver com a regra na língua portuguesa do que propriamente com o Umbundu, consiste em atribuir ao mosquito a faculdade de “morder”, quando o coitado, tal como a vespa a que é comparada, não vai além de ferrar.


fez um grande esforço, mas ficou-se atrás de todos, pois não encontrou o vocábulo correspondente a “alimbondwe”, que seriam vespas. E não foi desta que o improviso salvou a jornada, pois soa a tautologia dizer que “tem mosquitos mordem como bichos”, já que o mosquito, se é que fosse capaz de morder, fá-lo-ia como bicho mesmo, o que por acaso é.


Teve duas falhas só. Uma é fazer o mosquito “morder” como vespas, quando na verdade tanto um como a outra nasceram para ferrar. A segunda falha está no último verso, onde traduz “Ñala olotembo vyosi” como sendo “sinta-se a vontade para sempre”, quando devia ser “Vim para ficar”, ou fico por cá para sempre”, por exemplo


A meu ver, 0 (zero) falhas.


Teve 1 (uma) falha só ao traduzir «alimbondwe» como sendo abelhas (quando na verdade se trata do plural de vespa, pois abelha é “olunyihi”).


Teve 1 (uma) falha só, que é fazer o mosquito “morder” como vespas, quando até tanto um como a outra nasceram para ferrar.


RESULTADOS
1.º Lugar para Venâncio, que não teve falha a assinalar.
2.º Lugar para Higino, que teve uma falha só.
3.º Lugar para Victorino, que teve uma falha só.



Detalhes para a entrega do prémio serão acertados em mensagem privada. Os três classificados receberão exemplar do livro FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS, contos com que Gociante Patissa procura homenagear o bairro Santa Cruz, que lhe deu as agruras para amadurecer e as felicidades para o necessário equilíbrio humano. Tente, que você é capaz.